Nazaré da Mata (PE)

CINETEATRO
LUX

Imagem do Cineteatro Lux, ano e autor desconhecido.

Ao longo do século XX, o Cineteatro LUX  ocupou um papel central na vida cultural de Nazaré da Mata. Muito além de um espaço de exibição de filmes, ele era ponto de encontro, lugar de descobertas e cenário de memórias que ainda hoje resistem no imaginário da cidade.

O principal símbolo dessa época foi o Cine Teatro Lucena, fundado por Seu Aprígio Ramos e, posteriormente, conduzido por Seu Benedito — personagem fundamental na história do cinema local. O prédio reunia duas funções: cinema e teatro. A arquitetura chamava atenção pelas laterais ornamentadas, pela plateia ampla e pelo palco que permitia apresentações artísticas, fazendo do espaço um verdadeiro centro cultural.

Ir ao cinema era um acontecimento. As películas chegavam com atraso de anos em relação aos grandes centros, já bastante rodadas e, muitas vezes, danificadas. Quando a fita quebrava durante a exibição, o projecionista precisava colá-la manualmente. Esse trabalho artesanal fazia parte da rotina e da magia do lugar. Cada sessão era única, marcada por improvisos e pela expectativa coletiva.

A figura de Seu Benedito permanece viva na memória de quem frequentou o cinema. Sentado em sua cadeira, acompanhava tudo com atenção. Foi ele quem manteve o funcionamento do Cine Teatro Lucena até a chegada definitiva da televisão à cidade. Com a popularização do novo meio, o público diminuiu gradativamente. O encerramento das atividades não foi apenas o fechamento de um prédio, mas o fim de um ciclo cultural.

A história do cinema em Nazaré dialoga com a narrativa apresentada em Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore. Assim como no filme italiano, o cinema local representava mais que entretenimento: era espaço de formação afetiva, aprendizado e convivência intergeracional. A relação entre o projecionista e os frequentadores ecoa na lembrança de Seu Benedito, guardião das imagens e das histórias que passavam pela tela.

Hoje, mesmo sem o funcionamento regular das antigas salas, o legado permanece. Fotografias, relatos e registros preservam a memória de um tempo em que a cidade se reunia diante da tela grande para rir, chorar e sonhar coletivamente. Falar sobre o cinema em Nazaré é, portanto, falar sobre identidade, pertencimento e patrimônio cultural.

 Foto: fonte desconhecida, 2023.