Aliança

CINE
IRANI

Prédio onde funcionava o Cine Irani, hoje Câmara de vereadores de Aliança. Foto: Hevelyne Figueirêdo ,2023.

O Cine Irani marcou profundamente a vida cultural e social do município de Aliança, tornando-se a partir da década de 1950, um dos principais espaços de lazer e convivência da cidade.

 Localizado na Praça Valfredo Pessoa, área central da cidade onde atualmente se encontra o prédio da Câmara Municipal, o cinema funcionava como ponto de encontro para moradores de diferentes idades, que ali se reuniam para assistir filmes, conversar e acompanhar as novidades do mundo projetadas na tela.

Segundo relatos de moradores da época, o primeiro responsável pelo cinema foi João de Chaminha, funcionário da prefeitura que atuava como fiscal municipal e era uma figura bastante conhecida na cidade. Sempre lembrado com sua pasta de couro e um charuto na boca, ele conseguiu autorização para utilizar o terreno público da praça e ali construiu o cinema. O nome “Irani” teria sido inspirado no nome de uma de suas filhas.

O Cine Irandi rapidamente se consolidou como uma das maiores diversões da cidade. Nos finais de semana,  especialmente aos sábados e domingos, eram exibidos filmes muito aguardados pelo público. Entre os gêneros mais populares estavam os faroestes e aventuras, com personagens como The Durango Kid(1940) com Charles Starrett e Tarzan, o filho das Selvas(1932) e outras produções que marcaram a memória das crianças e jovens da época. Também eram exibidos seriados de aventura, que mantinham o público fiel semana após semana.

Uma estratégia curiosa era utilizada para garantir a presença do público nas sessões de quarta-feira: antes da exibição do episódio do seriado, que todos queriam acompanhar, era apresentado um filme de qualidade inferior. Ainda assim, o público comprava o ingresso e aguardava pacientemente até o momento do seriado, demonstrando o entusiasmo que o cinema despertava.

Mais do que um espaço de exibição de filmes, o cinema estava integrado ao cotidiano da praça. Na frente do prédio existia um banco circular onde moradores se reuniam diariamente. Um personagem lembrado nas memórias locais é Ageu Gonçalves, funcionário da prefeitura conhecido por realizar diversos serviços na cidade e que costumava reunir pessoas ao redor para ler e narrar histórias de literatura de cordel, como o famoso Pavão Misterioso, transformando a praça em um espaço de cultura popular e convivência.

O Cine Irani também foi palco de um momento curioso da história local relacionado à chegada da televisão. Durante as primeiras transmissões da Copa do Mundo, quando quase ninguém possuía aparelho de TV, moradores levavam um televisor para o cinema e cobravam ingresso para que o público pudesse assistir aos jogos. Assim, o espaço se transformava em uma espécie de cinema improvisado para acompanhar as partidas.

Com o passar do tempo, o cinema entrou em declínio. Problemas de saúde do proprietário e a ausência de sucessores interessados em manter o negócio contribuíram para o enfraquecimento das atividades. Posteriormente, o prédio foi alugado pelo Tenente Ribeiro, que tentou manter o funcionamento do cinema, exibindo filmes também em sessões na Usina Barra. No entanto, a experiência não teve sucesso e o cinema acabou encerrando suas atividades, provavelmente já na década de 1970. Após o fechamento, o prédio foi demolido e, no local, foi construído o edifício que hoje abriga a Câmara Municipal.