
Cine Rex. Pintura a óleo, baseada em fotografia da década de 1950. ( Alexandre Sá)
A palavra polytheama deriva do latim “poly” (muito) e do grego “theama” (espetáculo), significando, literalmente, “lugar de muitos espetáculos”. A própria etimologia revela sua vocação: um espaço destinado a atividades diversificadas, frequentado por distintas camadas sociais, onde arte, entretenimento e convivência se entrelaçavam.
Entre os mais antigos cineteatros do Brasil, o Polytheama de Goiana insere-se no período em que o cinema era vivido de maneira intensa e quase mágica quando, no escuro da sala de exibição, as imagens projetadas pareciam ganhar contornos de realidade. Inaugurado em 1914, na Rua Marechal Deodoro da Fonseca, em Goiana, o edifício tornou-se referência cultural para a cidade e região.
Ao longo de sua trajetória, atravessou diferentes fases e denominações, Nacar, Rex e Polytheama. Inicia-se em Polythema, entre as décadas de 1950 e 1960, passou a chamar-se Cine Nacar, período marcado pela exibição das populares chanchadas e dos filmes românticos que encantavam o público. Posteriormente, de 1960 a 1982, adotou o nome Cine Rex, acompanhando as transformações culturais e tecnológicas do século XX.
A repórter Clarissa Macau, ao escrever o texto “Polytheama: O cinema à espera de espetáculos”, registrou, em depoimento do publicitário e locutor Sr. Vilmar Gomes, que: “O Polytheama começou sem dono específico. Foram pessoas de posses que se juntaram para construí-lo. Cada um ficou responsável por uma parte. Um pelo projetor, outro pela tela. E assim foi. Até que Lourival Ferreira conseguiu as ações junto à prefeitura e firmou-se como o primeiro dono desse que veio a se chamar Nacar.”
Lourival Ferreira, funcionário da Usina Nossa Senhora das Maravilhas, tornou-se proprietário do cinema e promoveu a renovação de sua fachada. Posteriormente, o imóvel pertenceu a José Pereira e, depois, a João do Gongo, senhor de engenho que adquiriu o Cine Nacar e o rebatizou como Cine Rex. Contudo, diante da crescente concorrência da televisão, o cinema encerrou suas atividades. O longo período de fechamento acelerou sua deterioração, culminando com o desabamento do teto.
Em 1982, o então prefeito Harlan Gadelha adquiriu o prédio, incorporando-o ao patrimônio municipal. A fachada original foi restaurada, mas, novamente, o espaço foi abandonado, sofrendo progressiva degradação. Na década seguinte, parte do edifício desabou, chegando a ser ameaçado de demolição completa para dar lugar a um shopping (NELSON, 2017).
Somente em 2007 teve início um novo processo de restauração, executado pela construtora Baptista Leal. O projeto contou com autoria e recursos do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável da Zona da Mata de Pernambuco (PROMATA), com aporte inicial superior a R$ 1,1 milhão.
Após longa reforma, com intervenção do Governo do Estado por meio da Fundarpe, o espaço foi reinaugurado em 26 de março de 2010. O novo equipamento cultural passou a contar com capacidade para 220 espectadores, área para exposições e um salão multimídia com 10 computadores destinados a oficinas e cursos.
Apesar dos investimentos realizados, o teatro-cinema enfrentou períodos de ociosidade, marcados pela ausência de uma comissão gestora permanente. Houve, entretanto, iniciativas pontuais, como a Mostra Canavial de Cinema, realizada anualmente em novembro desde 2014, além de um cineclube mensal e apresentações musicais esporádicas.
Durante a gestão do prefeito Frederico Gadêlha (2013–2016), a Secretaria de Turismo e Desenvolvimento Cultural foi instalada no prédio principal, passando a funcionar no espaço originalmente destinado ao CEC (Centro de Enriquecimento Cultural), anexo construído na reforma de 2010, composto por duas salas de aula para oficinas e uma biblioteca virtual.
No ano de 2026, foi aberta licitação para a contratação de empresa especializada na elaboração de projetos executivos completos de engenharia e arquitetura destinados à restauração e requalificação do Teatro Polytheama, com valor global estimado em R$ 352.532,55.
Entretanto, o cinema permanece fechado há aproximadamente dez anos, sendo utilizado como depósito da referida secretaria até o presente momento — uma condição que contrasta com a relevância histórica e simbólica que o edifício representa para a memória cultural de Goiana.

Cineteatro Polytheama, pós-reforma no ano de 2010. Foto: Autor desconhecido.

Cineteatro Polythema, 2014. Foto: Iezu Kaeru,

Cineteatro Polythema, 2014. Foto: Hevelyne Figueirêdo

Cineteatro Polythema, 2014. Foto: Hevelyne Figueirêdo

Parte interna do salão de entrada. Foto: Hevelyne Figueirêdo, 2026.

Cabine de projeção. 2026. Fotografia

Parte interna do Polytheama. Foto: Hevelyne Figueirêdo, 2026.